Rua Almiro Ferreira Faria

por Câmara de Indiaporã última modificação 27/10/2017 14h51
Rua Almiro Ferreira Faria no Bairro Tupinambá da cidade Indiaporã SP é a nova denominação da antiga Rua Tiradentes do Bairro Tupinambá, alterada a denominação através da Lei 509/1992 Indiaporã SP 25/11/1992

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Lei 509/1992 Indiaporã SP 25/11/1992 - Rua Almiro Ferreira Faria

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India Bonita

ALMIRO FERREIRA DE FARIA

Popularmente conhecido como ALMIRO JACÓ

               O senhor Amiro Jacó era casado com dona Selvina Maria de Jesus, de cuja união nasceram 7 filhos: Geraldina, Luiz Benedito, Ormezira (Chata), Deoclides (Zico), Abraão, Adélia (esposa do Zé Baiano) e Izaias (Bacana).

               Vieram do córrego das Pedras, hoje Santa Isabel, para a fazenda Água Vermelha, no ano de 1928.

               Comprou uma propriedade de 3 alqueires do senhor César Moura.

               Transportou sua mudança no carro-de-boi e trouxe animais de reprodução, dentre eles, gado, porcos, cavalos e aves.

               Trouxe também armas de fogo, tais como carabina e espingarda pica-pau. Era caçador de animais selvagens, veados, catetos, antas e queixadas. Caçava para comer a carne e fazer objetos com o couro, dentre os quais, laços, cordas, tamoeiro, tiradeira e brochas.

               O senhor Almiro gostava de participar de festas de Santos Reis e certa vez fez uma promessa de se vestir de palhaço de folia por sete anos consecutivos. O seu companheiro de farda era o senhor José Félix.

               Naquele tempo, era comum as pessoas fazerem promessas para os santos de sua devoção, para que os mesmos ajudassem a resolver algum problema, principalmente de saúde. Quando se achavam agraciados, então pagavam-se as promessas.

               Almiro Jacó era um homem servidor dos amigos e vizinhos, e, além de socorrer os doentes, hospedava os viajantes que passavam pela região.

               Transportava mercadorias para Tanabi, antiga Igapira. Em Igapira, seus negócios eram realizados com o senhor Jamil Turco ou com o senhor João Fiscal e, no retorno, trazia mercadorias para ele e para os vizinhos.

               Seu filho Deoclides, apelidado de Zico, era candeeiro. O candeeiro geralmente era um rapaz que servida de guia para os bois do carro. Seu trabalho era mito importante, pois era quem administrava a toada da viagem e orientava a direção dos bois, quando havia alguma estrada adjacente ou bifurcação.

               Naquela época, normalmente os proprietários de bois e vacas atribuíam nomes a esses animais que, quando chamado pelos nomes, atendiam prontamente.

               Dentre os nomes mais comuns, podemos citar: Chibante, Mimoso, Brioso, Formoso, Balão, Navegante, Crioulo, Retrato, Dobrado, Mimosa, Pintada, etc.

               A posição dos bois, que eram colocados em pares, de frente para trás dava-lhe essas denominações: guia, pé de guia, meio, chaveia e cabeçalho.

               O carreiro era o senhor Arlindo Heitor ou o próprio senhor Almiro Jacó. Os lugares de ponto de pouso eram: córrego da Estiva, Barro Preto, Lagoa da Traíra, Quebra-Cocão e córrego do Bonito.  A viagem de ida e volta levava em média 8 dias, e no carro levavam 6 porco gordos.

               O senhor Zico me afirmou que, certa vez, durante a noite, na hora do pouso, uma onça os atropelou e eles tiveram que cangar os bois e seguir a viagem, aproveitando o clarão da lua.

               Dormia-se embaixo do carro e cozinhava-se em caldeirões dependurados em suporte feito com duas forquilhas e uma haste de madeira verde.

               Almiro Jacó também possuía engenho e fazia pinga, açúcar e rapadura. Tinha também um tear, onde dona Selvina fiava e tecia. Às vezes as mulheres se reuniam em mutirão para fiar o algodão, com muita alegria, muita cantarola e biscoitos à vontade. Tempo bom aquele em que as famílias se confraternizavam.

               Dona Selvina faleceu em Indianópolis, no ano de 1949 e o senhor Almiro, posteriormente, casou-se pela segunda vez com a senhora Joana Jacinta de Jesus e tiveram mais 4 filhos: José Jacinto, Albertina (casada com Jair Inácio), Denira e Idalina.

               A principal renda da família era também a venda de gado, porcos, pinga, açúcar, rapadura e cereais que sobravam do consumo familiar.

               Após a fundação da vila de Indianópolis, as mercadorias eram vendidas aqui mesmo para os senhores Calixto Turco e seu sócio, senhor Salim, ou para o senhor João Bonifácio, de Fernandópolis.

               O senhor Almiro aprendeu a dirigir automóveis já com idade avançada e comprou uma perua Rural Willys, com a qual viajava por toda a região.

               Faleceu em 1977, deixando de herança um sítio de 50 alqueires de terras no córrego do Tatu e uma chácara de 6 alqueires em Indiaporã, os quais foram divididos entre seus herdeiros.

 

               Pesquisa feita em 13 de dezembro de 1996.

               Entrevistado: Deoclides Ferreira de Faria (Zico).

               Entrevistadores: Adelino Francisco do Nascimento e Joaquim Valeriano Borges

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Texto extraído do Livro Memórias de Indiaporã, Editora Ferjal 2000, Adelino Francisco do Nascimento, páginas 44 à 46.

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Data de Nascimento: 17/06/1895     local: _____________

Faleceu dia: 12/07/1975, por causa de um câncer no nariz. Na ocasião residia em sua na Chácara em frente subestação de energia da Cesp na estrada que liga Indiaporã à Guarani D’Oeste. Está sepultado no cemitério de Indiaporã.

Pai: __________________________

Mãe:_________________________